quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Carlos Drummond de Andrade
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Ausência
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Ausência
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Herberto Hélder
Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.
Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.
O amor em visita
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.
Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.
O amor em visita
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
O nosso Cofre
Para 2010 levemos um cofre das nossas coisas melhores, sei lá amor, o mundo pode até finar e quero estar preparado. Quando chegarmos a um sitio seguro, quiçá os únicos portugueses, mostramos o que é nosso e seremos os reis de lá...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Teerão 24
Para seguir a mudança de um país as imagens do Tehran 24 e os relatos no Daily Dish.


Porque quando lá se vê uma mulher de face destapada a manifestar junto a homens é sinal de mudança para melhor...
(Jugular)


Porque quando lá se vê uma mulher de face destapada a manifestar junto a homens é sinal de mudança para melhor...(Jugular)
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É por isto que não podemos ter coisas bonitas...
O princípio de não poder ter coisas bonitas já o expliquei, há umas semanas, no excelso Alugo-me para rir:
"Imaginem que têm 4 anos e a vossa mãe tem na mesa da sala uma jarra de cristal que está na família há 50 anos. Vocês, porque são uns pirralhos infernais, encontram maneira de espetar com a jarra no chão.
A vossa mãe, mal conseguindo segurar a vontade que tem de vos esfrangalhar tipo interrogadora inquisitorial, diz uma frase que vos marcará para toda a vida:
"É por isto que não podemos ter coisas bonitas..."
Ou seja. Por vossa causa ela não pode colocar na decoração os elementos que lhe são mais valiosos. Por vossa causa ela não pode ter coisas bonitas que mostrar às amigas."
Este termo, muito útil para mães e pais de todo o mundo levava-nos à vergonha total. Levava à desilusão de sermos uns trapalhões que obrigam à quarentena dos pechisbeques valiosos.
Assim é agora com a aviação...
Quando eu ainda só sonhava com viagens de avião fantasiava com levar um portátil comigo durante a viagem toda a jogar o Flight Simulator enquanto pelo LiveATC.net ia ouvindo as verdadeiras comunicações com a torre do aeroporto onde aterraria. Era um daqueles sonhos cromos a concretizar numa altura em que as viagens de avião fossem uma coisa usual para mim.
Depois vêem os terroristas e f**** tudo.

Agora nada de portáteis, telemóveis, malas ou seja o que for no colo. Só um livrinho e já é bom. No controlo de segurança já não vai faltar muito para sermos vistos em pêlo ou então a ter exames à próstata mesmo ali. Viajar de avião está-se a tornar demasiado stressante principalmente porque somos todos suspeitos, um pouco como nas primeiras lojas chinesas quando eramos literalmente perseguidos pelos donos da loja, quer tivessemos bom ou mau aspecto.
Longe vão os tempos de bocas foleiras às hospedeiras, conversas de pé na coxia e visitas prolongadas à casa-de-banho para um pouco de mile-high sex.
Pilotar um avião continua a ser excitante mas viajar nele, de forma passiva e vulgar, está a acabar com a magia da coisa.
Tirar sapatos, cinto, ser radiografado de forma invasiva e apalpado em sítios dolorosos não vai ajudar em nada.
"Imaginem que têm 4 anos e a vossa mãe tem na mesa da sala uma jarra de cristal que está na família há 50 anos. Vocês, porque são uns pirralhos infernais, encontram maneira de espetar com a jarra no chão.
A vossa mãe, mal conseguindo segurar a vontade que tem de vos esfrangalhar tipo interrogadora inquisitorial, diz uma frase que vos marcará para toda a vida:
"É por isto que não podemos ter coisas bonitas..."
Ou seja. Por vossa causa ela não pode colocar na decoração os elementos que lhe são mais valiosos. Por vossa causa ela não pode ter coisas bonitas que mostrar às amigas."
Este termo, muito útil para mães e pais de todo o mundo levava-nos à vergonha total. Levava à desilusão de sermos uns trapalhões que obrigam à quarentena dos pechisbeques valiosos.
Assim é agora com a aviação...
Quando eu ainda só sonhava com viagens de avião fantasiava com levar um portátil comigo durante a viagem toda a jogar o Flight Simulator enquanto pelo LiveATC.net ia ouvindo as verdadeiras comunicações com a torre do aeroporto onde aterraria. Era um daqueles sonhos cromos a concretizar numa altura em que as viagens de avião fossem uma coisa usual para mim.
Depois vêem os terroristas e f**** tudo.
Agora nada de portáteis, telemóveis, malas ou seja o que for no colo. Só um livrinho e já é bom. No controlo de segurança já não vai faltar muito para sermos vistos em pêlo ou então a ter exames à próstata mesmo ali. Viajar de avião está-se a tornar demasiado stressante principalmente porque somos todos suspeitos, um pouco como nas primeiras lojas chinesas quando eramos literalmente perseguidos pelos donos da loja, quer tivessemos bom ou mau aspecto.
Longe vão os tempos de bocas foleiras às hospedeiras, conversas de pé na coxia e visitas prolongadas à casa-de-banho para um pouco de mile-high sex.
Pilotar um avião continua a ser excitante mas viajar nele, de forma passiva e vulgar, está a acabar com a magia da coisa.
Tirar sapatos, cinto, ser radiografado de forma invasiva e apalpado em sítios dolorosos não vai ajudar em nada.
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domingo, 27 de dezembro de 2009
Pessoa do Ano 2009
Hoje, num canal que não tenho 100% certeza mas julgo ter sido a RTP1, anunciavam naquela tirinha informativa no fundo do ecrã, que a pessoa do ano para a revista Time era Neda Soltan.
Achei estranho fazerem pessoa do ano uma senhora que, ok, morreu por causa de uma luta legítima mas que não tomou qualquer posição sobre o assunto. Apenas saiu do carro na altura errada e foi alvejada. Foram as pessoas envolvidas na luta que a elevaram a mártir da causa. Se a Time escolhesse tomar esta posição de apoio à mudança de regime no Irão provavelmente escolheria os líderes da oposição ou a própria população anónima que luta por melhores condições.
Poderia também ter eleito o papel que o twitter teve na denúncia do que se passava nas ruas de Teerão. Isso se em 2006 eu, tu, eles e todos nós não tivéssemos sido a pessoa do ano.
Afinal, depois de consultar o site da Time descubro que a pessoa do ano é Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal Americana.
Vou ler mais sobre o senhor mas parece-me que fazer de qualquer um dos responsáveis económicos americanos a pessoa do ano, mesmo no final da década, é, no mínimo, arriscado.
Achei estranho fazerem pessoa do ano uma senhora que, ok, morreu por causa de uma luta legítima mas que não tomou qualquer posição sobre o assunto. Apenas saiu do carro na altura errada e foi alvejada. Foram as pessoas envolvidas na luta que a elevaram a mártir da causa. Se a Time escolhesse tomar esta posição de apoio à mudança de regime no Irão provavelmente escolheria os líderes da oposição ou a própria população anónima que luta por melhores condições.
Poderia também ter eleito o papel que o twitter teve na denúncia do que se passava nas ruas de Teerão. Isso se em 2006 eu, tu, eles e todos nós não tivéssemos sido a pessoa do ano.
Afinal, depois de consultar o site da Time descubro que a pessoa do ano é Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal Americana.
Vou ler mais sobre o senhor mas parece-me que fazer de qualquer um dos responsáveis económicos americanos a pessoa do ano, mesmo no final da década, é, no mínimo, arriscado.
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Tenham um Bom Natal
Espírito natalício é um sem abrigo mal cheiroso a beber uma cerveja e a fumar um cigarro sorrir em gargalhada a apontar para um dálmata que muito ocupado na sua vidinha de cão olha para o tal senhor e ignora. Vi hoje de manhã esta prova de que tanta alegria, natalícia ou não, anda por aí à espera que vocês a vejam.
Da parte que me toca desejo um Feliz Natal a todos os leitores, leitoras e anões que mal conseguem chegar ao teclado. Felicidades a todos e aproveitem o dia de hoje, principalmente se forem uns valentes sacanas durante todo o ano, para curtirem imenso as vossas velhinhas e velhinhos.
Da parte que me toca desejo um Feliz Natal a todos os leitores, leitoras e anões que mal conseguem chegar ao teclado. Felicidades a todos e aproveitem o dia de hoje, principalmente se forem uns valentes sacanas durante todo o ano, para curtirem imenso as vossas velhinhas e velhinhos.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Tomar o pulso aos relógios
Graças a este post no Art of Manliness relembrei o momento no qual um amigo me pôs nas mãos um Omega para eu dar o meu veredicto de veracidade. Olhei para o bichinho, comprado de forma er... criativa... por um elemento da familia dele, e disse de imediato que era verdadeiro.
Porquê?
As grandes marcas de relógios, Rolex, Chopard, Jaeger Lecoultre, Omega e outras têm uma distinção que os separam dos Swatch, Tissot, Breil, Lorus, tudo marcas de bons relógios low cost. Essa distinção reside no ponteiro dos segundos. Em vez de marcar segundo a segundo de forma vincada este ponteiro desliza sobre o mostrador de forma elegante.
Podem ver isso neste vídeo:
A explicação está dentro do coração da preciosa peça de relojoaria.
Enquanto que um relógio normal conta cada segundo como uma unidade um relógio de luxo conta cada segundo como partes de 9 ou 10. O som, que no caso do Omega do meu amigo era bastante audível, pode até ter a tal periodicidade tradicional do tic tac mas é na face do relógio, e na sua exactidão a longo prazo, que se sente a diferença da compartimentação de cada segundo.
É que é fácil a um serralheiro chinês copiar a caixa do relógio colocando cada pormenor no metal mas não é nada fácil copiar o magnífico motor por detrás da perfeição de cada segundo.
Neste Natal tenham cuidado...
Porquê?
As grandes marcas de relógios, Rolex, Chopard, Jaeger Lecoultre, Omega e outras têm uma distinção que os separam dos Swatch, Tissot, Breil, Lorus, tudo marcas de bons relógios low cost. Essa distinção reside no ponteiro dos segundos. Em vez de marcar segundo a segundo de forma vincada este ponteiro desliza sobre o mostrador de forma elegante.
Podem ver isso neste vídeo:
A explicação está dentro do coração da preciosa peça de relojoaria.
Enquanto que um relógio normal conta cada segundo como uma unidade um relógio de luxo conta cada segundo como partes de 9 ou 10. O som, que no caso do Omega do meu amigo era bastante audível, pode até ter a tal periodicidade tradicional do tic tac mas é na face do relógio, e na sua exactidão a longo prazo, que se sente a diferença da compartimentação de cada segundo.
É que é fácil a um serralheiro chinês copiar a caixa do relógio colocando cada pormenor no metal mas não é nada fácil copiar o magnífico motor por detrás da perfeição de cada segundo.
Neste Natal tenham cuidado...
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O terceiro melhor emprego do mundo
Logo atrás de apresentador do Top Gear e Mythbuster está esta divertida tarefa de demolir rochas com uma bola de aço presa a um helicoptero.
Passa-se na Noruega.
(Gizmodo)
Passa-se na Noruega.
(Gizmodo)
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