sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Anteontem José Luis Peixoto estava no programa da tarde da RTP1 e mesmo no final da emissão leu um poema sobre as suas irmãs... Este poema fez-me lembrar um outro que pude ouvir o próprio escritor ler quando este foi à Biblioteca de Valongo.

Simples mas desarmante.


na hora de pôr a mesa, éramos cinco

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viuva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.