sexta-feira, 25 de abril de 2008

Baixas

De nada adianta usar o mais sofisticado fato à prova de bala, de placas de cerâmica ou Kevlar, com capacete anti-bomba incluído se, no bolso (mais no esquerdo que no direito) da camisa, mantemos distraidamente um engenho explosivo de fragmentação lá colocado com a discrição de um cavalo de troia.
Convencemo-nos que estamos imunes e protegidos. Confiamos nas rudes muralhas erectas, nos nossos estratagemas de defesa anti-invasão e, na pior das hipóteses, no nosso digno plano de retirada.
Os nossos fieis Homens, soldados rasos e generais em igualdade, já desertaram há muito pois este caminho é para ser percorrido por um só homem. O mesmo que será agraciado com honras de estado e medalhas de honra correndo tudo bem. Mas que também pode ser votado a um estéril degredo se fraquejar.
A ilusão de segurança já não me encanta ou engana ou encerra.
Por isso mesmo largo a armadura, deito ao chão o capacete e me sento.
É comigo já em roupa civil que revelo as minhas mãos despidas.
Uma aberta na tua direcção. A outra a segurar pela testa a cabisbaixa cabeça que olha para o chão.

Sabes que te aguardo.

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